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PA-001 - Manual de Boas Práticas: Hipertensão Arterial

Campo Informação
Código PA-001
Tipo de documento Procedimento Assistencial / Manual de Boas Práticas
Título Manual de Boas Práticas: Hipertensão Arterial
Unidade USF Tempo de Cuidar
Revisão 1
Data de elaboração 23/06/2026
Validade 31/12/2026
Autor Nuno Rodrigues / Equipa multiprofissional da USF Tempo de Cuidar
Aprovação A definir em Conselho Geral
Local de arquivo Pasta partilhada OneDrive / Procedimentos USF Tempo de Cuidar

Introdução

A Hipertensão Arterial (HTA) é um dos fatores de risco modificáveis mais relevantes para as doenças cérebro-cardiovasculares. O seu diagnóstico, vigilância e controlo adequados são fundamentais nos Cuidados de Saúde Primários, pela possibilidade de reduzir complicações, internamentos, incapacidade e mortalidade associada.

A abordagem da pessoa com HTA deve ser contínua, estruturada e centrada no utente, envolvendo médico de família, enfermeiro de família e secretário clínico. A uniformização de procedimentos permite melhorar a acessibilidade, a qualidade dos registos, a continuidade assistencial e a segurança dos cuidados.

Este manual estabelece as boas práticas a adotar na USF Tempo de Cuidar para a deteção, diagnóstico, acompanhamento, tratamento, educação para a saúde e referenciação da pessoa com HTA.

Definição ou enquadramento

A Hipertensão Arterial define-se, em avaliação de consultório, como a elevação persistente da pressão arterial sistólica (PAS) igual ou superior a 140 mmHg e/ou da pressão arterial diastólica (PAD) igual ou superior a 90 mmHg, confirmada em medições repetidas e em diferentes ocasiões.

A avaliação da pressão arterial deve ser integrada numa apreciação global do risco cardiovascular, dos estilos de vida, da presença de comorbilidades, da adesão terapêutica e da existência de lesão de órgão-alvo ou complicações cardiovasculares.

Siglas e abreviaturas

Sigla Significado
CH Cuidados Hospitalares
CCI Cuidados Continuados Integrados
CSP Cuidados de Saúde Primários
DCCV Doenças cérebro-cardiovasculares
ECG Eletrocardiograma
FC Frequência cardíaca
HDL Lipoproteína de alta densidade
HTA Hipertensão Arterial
IMC Índice de Massa Corporal
LDL Lipoproteína de baixa densidade
MCDT Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica
PA Pressão arterial
PAD Pressão arterial diastólica
PAS Pressão arterial sistólica
PNV Plano Nacional de Vacinação
SOAP Subjetivo / Objetivo / Avaliação / Plano
USF Unidade de Saúde Familiar

População-alvo

Este manual aplica-se a:

  • Utentes inscritos na USF Tempo de Cuidar com diagnóstico de HTA;
  • Utentes com valores tensionais sugestivos de HTA em avaliação ou confirmação diagnóstica;
  • Familiares e cuidadores envolvidos no plano de cuidados;
  • Profissionais da USF Tempo de Cuidar envolvidos no circuito assistencial da HTA.

Critérios de exclusão administrativa do seguimento estruturado

Poderão ser excluídos do acompanhamento estruturado de HTA, quando aplicável:

  • Utentes falecidos;
  • Utentes que não cumpram critérios de diagnóstico de HTA;
  • Utentes institucionalizados com vigilância clínica externa assegurada;
  • Utentes residentes no estrangeiro;
  • Utentes impossibilitados de contactar ou ser acompanhados pela unidade.

Procedimento

1. Objetivos

  • Detetar precocemente valores tensionais elevados;
  • Confirmar o diagnóstico de HTA de forma adequada;
  • Uniformizar o circuito do utente com HTA na USF;
  • Garantir vigilância clínica periódica e registos estruturados;
  • Promover estilos de vida saudáveis e adesão terapêutica;
  • Reduzir o risco cardiovascular global;
  • Identificar precocemente complicações e situações que exijam referenciação;
  • Monitorizar indicadores de qualidade assistencial.

2. Expectativas e necessidades

Pessoa com HTA, familiares e cuidadores

  • Acesso facilitado à marcação de consultas e renovação de terapêutica crónica;
  • Consultas programadas em tempo útil;
  • Comunicação clara, compreensível e adaptada à literacia em saúde;
  • Tempo adequado para esclarecimento de dúvidas;
  • Cuidados tecnicamente competentes, seguros e humanizados;
  • Envolvimento no plano terapêutico e nas decisões de saúde.

Equipa médica

  • Registos clínicos uniformes e completos;
  • Articulação eficaz com enfermagem, secretariado clínico e cuidados hospitalares;
  • Acesso a resultados de MCDT e informação clínica relevante;
  • Identificação atempada de utentes não controlados ou com maior risco cardiovascular.

Equipa de enfermagem

  • Condições adequadas de espaço, tempo e equipamento;
  • Protocolos claros para avaliação, ensino e seguimento;
  • Cooperação com a restante equipa multiprofissional;
  • Atualização regular de conhecimentos na área da HTA.

Secretariado clínico

  • Informação clara sobre circuitos, horários e formas de contacto;
  • Encaminhamento adequado dos pedidos dos utentes;
  • Apoio à marcação, remarcação e efetivação de consultas;
  • Contribuição para a continuidade assistencial.

3. Circuito do utente

  1. O utente contacta a USF ou é identificado em consulta oportunística com valores tensionais elevados.
  2. O secretário clínico agenda ou orienta o utente de acordo com a situação clínica e disponibilidade assistencial.
  3. A enfermagem procede à avaliação inicial, medição correta da PA, avaliação antropométrica, identificação de fatores de risco e educação para a saúde.
  4. O médico avalia critérios de diagnóstico, risco cardiovascular, necessidade de MCDT, tratamento farmacológico ou não farmacológico e eventual referenciação.
  5. O utente é integrado em vigilância programada de HTA.
  6. A equipa monitoriza periodicamente controlo tensional, adesão terapêutica, estilos de vida, comorbilidades, complicações e indicadores.

4. Diagnóstico e classificação da HTA

Critério diagnóstico em consultório

Considera-se HTA quando existe elevação persistente, em diferentes ocasiões, de:

  • PAS ≥ 140 mmHg e/ou
  • PAD ≥ 90 mmHg.

Sempre que clinicamente adequado, a confirmação poderá ser complementada por automedição da pressão arterial ou monitorização ambulatória, de acordo com orientação médica e disponibilidade.

Classificação simplificada da pressão arterial em consultório

Categoria PAS (mmHg) PAD (mmHg)
Normal < 130 < 85
Normal-alta 130-139 85-89
HTA grau 1 140-159 90-99
HTA grau 2 160-179 100-109
HTA grau 3 ≥ 180 ≥ 110
HTA sistólica isolada ≥ 140 < 90

5. Técnica de medição da pressão arterial

A medição da PA deve obedecer aos seguintes princípios:

  • Ambiente calmo, acolhedor e com privacidade;
  • Utente sentado, relaxado, com repouso prévio de pelo menos 5 minutos;
  • Bexiga vazia;
  • Evitar tabaco, café ou outros estimulantes na hora anterior;
  • Membro superior desnudado e apoiado;
  • Utilização de braçadeira adequada ao perímetro do braço;
  • Medição preferencial no braço onde foram identificados valores mais elevados na avaliação inicial;
  • Realização de pelo menos duas medições, com intervalo mínimo de 1 a 2 minutos;
  • Registo no processo clínico do valor mais baixo da PAS e PAD;
  • Realização de terceira medição se existir discrepância relevante entre as duas primeiras.

6. Periodicidade de reavaliação perante valores tensionais

Valores de PA Atuação recomendada
PA < 130/85 mmHg Reavaliar até 2 anos, se ausência de outros fatores relevantes
PA 130-139/85-89 mmHg Reavaliar no prazo de 1 ano
PA 140-159/90-99 mmHg Confirmar no prazo de 2 meses
PA 160-179/100-109 mmHg Confirmar no prazo de 1 mês
PA ≥ 180/110 mmHg Avaliação clínica urgente; iniciar tratamento ou reavaliar até 1 semana conforme o quadro clínico

7. Vigilância programada da pessoa com HTA

A periodicidade deverá ser ajustada ao grau de controlo tensional, risco cardiovascular, comorbilidades, idade, adesão terapêutica e juízo clínico.

Periodicidade orientadora

  • Consulta médica: 2 a 4 consultas por ano, conforme controlo tensional e risco;
  • Consulta de enfermagem: 2 a 4 consultas por ano, conforme necessidades do utente;
  • Contactos adicionais sempre que exista descontrolo, alteração terapêutica, efeitos adversos, baixa adesão ou intercorrência clínica.

Avaliação semestral

  • PA e FC;
  • Peso, altura, IMC e perímetro abdominal, quando aplicável;
  • Revisão de hábitos tabágicos, alcoólicos, alimentares e atividade física;
  • Avaliação da adesão terapêutica;
  • Educação para a saúde;
  • Atualização do plano de cuidados.

Avaliação anual

  • Registos de PA adequados;
  • Função renal;
  • Perfil lipídico;
  • Pesquisa de albuminúria/microalbuminúria, quando aplicável;
  • Avaliação do risco cardiovascular;
  • Revisão de comorbilidades e complicações;
  • ECG, de acordo com indicação clínica;
  • Revisão do PNV e vacinação recomendada;
  • Revisão terapêutica global.

8. Medidas preventivas e terapêuticas

Medidas não farmacológicas

Devem ser promovidas em todos os utentes, independentemente da necessidade de terapêutica farmacológica:

  • Dieta variada, equilibrada, hipossalina e pobre em gorduras saturadas;
  • Redução do consumo de sal;
  • Moderação do consumo de álcool;
  • Cessação tabágica;
  • Atividade física aeróbia regular, adaptada à idade e condição clínica;
  • Controlo ponderal, com objetivo de IMC adequado;
  • Redução do perímetro abdominal;
  • Sono adequado e gestão do stress;
  • Promoção da adesão ao regime terapêutico e ao seguimento programado.

Tratamento farmacológico

O tratamento farmacológico é da responsabilidade médica e deve considerar:

  • Valores tensionais;
  • Risco cardiovascular global;
  • Idade e fragilidade;
  • Comorbilidades;
  • Contraindicações e interações medicamentosas;
  • Efeitos adversos;
  • Preferências e contexto do utente;
  • Adesão terapêutica;
  • Necessidade de simplificação posológica.

9. Competências por grupo profissional

Atividade / competência Secretário clínico Enfermeiro Médico
Acolher o utente e orientar o circuito administrativo
Marcar, remarcar, efetivar ou anular consultas
Encaminhar pedidos de receituário crónico
Informar sobre horários, contactos e funcionamento da USF
Detetar valores tensionais elevados
Medir e registar PA, FC e parâmetros antropométricos
Avaliar fatores de risco e estilos de vida
Educar para a saúde e promover literacia
Avaliar adesão ao regime terapêutico
Validar vacinação e promover atualização do PNV
Diagnosticar HTA e codificar problema clínico
Prescrever MCDT e terapêutica farmacológica
Rever terapêutica e controlar efeitos adversos
Referenciar para cuidados hospitalares
Articular com equipa multiprofissional
Registar informação relevante no sistema clínico

10. Consulta de enfermagem e registos

Primeira consulta de enfermagem

O enfermeiro de família deve:

  • Confirmar a identificação inequívoca do utente;
  • Acolher o utente, família ou cuidador;
  • Abrir contacto no sistema de informação clínica;
  • Confirmar a existência de programa/problema associado à HTA;
  • Avaliar PA, FC, peso, altura, IMC e perímetro abdominal;
  • Identificar fatores de risco: tabagismo, consumo de álcool, sedentarismo, dieta rica em sal, excesso de peso, dislipidemia, diabetes ou outros;
  • Avaliar conhecimentos sobre HTA e regime terapêutico;
  • Avaliar adesão à terapêutica e à vacinação;
  • Realizar educação para a saúde;
  • Registar intervenções efetuadas;
  • Articular com o médico de família se forem identificados sinais de alerta, descontrolo tensional ou necessidade de avaliação clínica;
  • Agendar consulta subsequente de acordo com o plano definido.

Consultas subsequentes de enfermagem

  • Confirmar identificação do utente;
  • Validar diagnóstico e plano de cuidados;
  • Monitorizar PA, FC e parâmetros antropométricos;
  • Reforçar ensinos sobre dieta, exercício, terapêutica e autovigilância;
  • Avaliar adesão e barreiras ao tratamento;
  • Verificar PNV e vacinação recomendada;
  • Registar no sistema clínico;
  • Encaminhar para avaliação médica sempre que necessário.

11. Consulta médica e registos

No momento do diagnóstico

O médico de família deve:

  • Acolher o utente e explicar o diagnóstico de HTA;
  • Confirmar os valores tensionais e contexto das medições;
  • Registar o problema clínico adequado na lista de problemas;
  • Registar data de diagnóstico e, se aplicável, data de início de tratamento farmacológico;
  • Avaliar risco cardiovascular e comorbilidades;
  • Pesquisar lesão de órgão-alvo e complicações;
  • Prescrever MCDT adequados;
  • Instituir medidas não farmacológicas;
  • Iniciar terapêutica farmacológica quando indicado;
  • Esclarecer dúvidas e reforçar adesão terapêutica;
  • Verificar estado vacinal e orientar para enfermagem se necessário;
  • Agendar vigilância subsequente.

Consultas médicas subsequentes

  • Reavaliar PA, FC, peso, IMC e outros parâmetros relevantes;
  • Rever resultados de MCDT;
  • Avaliar adesão terapêutica e efeitos adversos;
  • Ajustar terapêutica farmacológica, se necessário;
  • Rever risco cardiovascular e comorbilidades;
  • Reforçar medidas de estilo de vida;
  • Prescrever terapêutica até à próxima consulta programada;
  • Atualizar registos clínicos;
  • Programar nova consulta.

12. Situações a referenciar ou discutir com cuidados hospitalares

A referenciação deve ser ponderada pelo médico de família nas seguintes situações:

  • Suspeita de emergência hipertensiva;
  • HTA resistente, apesar de otimização terapêutica e adesão confirmada;
  • Suspeita de HTA secundária;
  • Complicações cardiovasculares, renais, neurológicas ou oftalmológicas relevantes;
  • Necessidade de avaliação especializada não disponível nos CSP;
  • Descontrolo tensional persistente com risco acrescido.

13. Recursos necessários

Área Recursos
Instalações Gabinetes com privacidade, conforto, segurança e acessibilidade
Equipamento clínico Esfigmomanómetros validados, braçadeiras de diferentes tamanhos, balança, estadiómetro, fita métrica, material para avaliação clínica
Sistemas de informação SClínico ou sistema em vigor, PEM, acesso a resultados de MCDT, plataforma de referenciação
Material educativo Folhetos, cartazes, recomendações alimentares, plano de autovigilância, informação sobre estilos de vida
Recursos humanos Médico de família, enfermeiro de família, secretário clínico e articulação com outros profissionais quando necessário

14. Indicadores de monitorização

A avaliação do procedimento deverá incluir indicadores de segurança, processo, resultado e satisfação.

Dimensão Indicador sugerido
Segurança Cumprimento da identificação inequívoca do utente
Processo Proporção de utentes com HTA com registo de PA no período definido
Processo Proporção de utentes com HTA com IMC registado nos últimos 12 meses
Processo Proporção de utentes com HTA com risco cardiovascular registado nos últimos 3 anos, quando aplicável
Resultado Proporção de utentes com HTA com PA controlada
Resultado Proporção de utentes com HTA com avaliação laboratorial anual adequada
Satisfação Avaliação através de inquéritos de satisfação ou reclamações/sugestões relacionadas

Fluxograma

flowchart TD
    A[Utente com valores tensionais elevados ou diagnóstico prévio de HTA] --> B{Contacto com a USF}
    B --> C[Secretariado clínico acolhe e orienta]
    C --> D[Consulta de enfermagem]
    D --> E[Medição correta da PA e avaliação de fatores de risco]
    E --> F{Valores compatíveis com HTA ou descontrolo?}
    F -- Não --> G[Educação para a saúde e reavaliação programada]
    F -- Sim --> H[Consulta médica]
    H --> I[Confirmação diagnóstica / avaliação do risco CV / MCDT]
    I --> J{Situação urgente ou complicações?}
    J -- Sim --> K[Referenciação / articulação com cuidados hospitalares]
    J -- Não --> L[Plano terapêutico farmacológico e/ou não farmacológico]
    L --> M[Vigilância programada médico-enfermagem]
    M --> N[Monitorização de PA, adesão, MCDT, estilos de vida e indicadores]
    N --> O{PA controlada?}
    O -- Sim --> P[Manter seguimento periódico]
    O -- Não --> Q[Reavaliar adesão, ajustar plano e/ou referenciar]
    Q --> M
    P --> M

Notas

  • Este manual deve ser utilizado em articulação com as normas clínicas em vigor, orientações da Direção-Geral da Saúde e procedimentos internos da USF Tempo de Cuidar.
  • A periodicidade das consultas pode ser alterada por decisão clínica fundamentada.
  • A informação ao utente deve ser adaptada à idade, literacia, contexto social, preferências e capacidade de autocuidado.
  • Os registos devem ser completos, datados, rastreáveis e efetuados no sistema de informação clínica em vigor.
  • As versões exportadas para PDF ou DOCX são consideradas cópias de distribuição; a versão-base deverá permanecer em Markdown.

Anexos

  • Anexo I — Folheto informativo para a pessoa com HTA.
  • Anexo II — Registo de automedição da pressão arterial.
  • Anexo III — Recomendações de estilos de vida saudáveis.
  • Anexo IV — Técnica correta de medição da pressão arterial.

Gestores do procedimento

  • Nuno Rodrigues
  • Cristina Barbosa
  • Gabriela Barbosa

Referências bibliográficas

  • Direção-Geral da Saúde. Norma 020/2011 — Hipertensão Arterial: definição e classificação. Atualizada em 19/03/2013.
  • Direção-Geral da Saúde. Norma 026/2011 — Abordagem Terapêutica da Hipertensão Arterial. Atualizada em 19/03/2013.
  • Direção-Geral da Saúde. Norma 005/2013 — Avaliação do Risco Cardiovascular SCORE.
  • Direção-Geral da Saúde. Norma 019/2011 — Abordagem Terapêutica das Dislipidemias.

Registo de alterações

Revisão Data de aprovação Motivo da revisão Validade Autor
1 23/06/2026 Criação do documento em formato Markdown, de acordo com PS-001 31/12/2026 Nuno Rodrigues